
me...by MS
Em Sintra ontem...com um pequeno caderno e na espera de uma amiga para um scone e chá escrevi...e apetece-me postar parte do que escrevi...
Olho por entre uns ramos despidos que fazem a paisagem por de trás ser ainda mais bela. Ao lado vejo uma pomba, que até ela me parece mais bela. Castanha e branca tal vaca do prado. Há gentes, mas não muita, passam de vez em quando, sob o meu olhar mas não ficam pousadas.
Os ramos balançam e arqueiam-se no ar, fazendo toda a paisagem parecer mover-se. A cada olhar enquadro a imagem, foco e desfoco, olho dois milímetros ao lado e torno a enquadrar, focar e desfocar…
Os tais ramos estão retorcidos em direcção ao céu, mas de um modo pouco doce, de um modo agreste formando um C ao contrário! A pomba, esta, foi-se embora…
Ao longe, num dos enquadramentos está um cipreste que balança ao som da música que ouço…parecendo também ele ouvi-la
Há nuvens no céu, entre o cinza e o branco e contudo um sol bate-me na face de modo a aquecer-me a cara e a mão que escreve.
A pomba voltou e bate as asas directamente para mim, como quem diz estou aqui! Se olhar para o cipreste que se move melancolicamente todas as outras árvores parecem imóveis, mas se fixar, o olhar, no castanheiro de outro plano, todas as outras incluindo o cipreste me parecem também elas paradas no tempo.
O protagonismo da natureza individualizado pelo meu olhar. Os verdes misturam-se e ao mesmo tempo distingo-os a cada pincelada.
Num vale aberto que estou vejo outro vale mais baixo que guarda o tal cipreste para si, uma varanda verde onde pousa a dita pomba, e do outro lado, difícil de olhar, pois daí, vem todo o sol que me aquece, um castelo de Mouros recortado no horizonte.
O sol vai e vem escondendo-se por entre as nuvens, que como que numa perseguição serrada tentam tapa-lo. O cinzento do céu toma conta da tonalidade branca misturando-se para prevalecer o mais forte como na natureza!
O recorte da serra por onde brota o castelo dos mouros( o sol voltou) faz os olhos quase chorarem de beleza indiscreta que nos entra em casa quando estamos nuas e descalças. Não bate à porta somente empurra a cortina da separação do dentro e fora, para se mostrar. O alcançado horizonte mostra-nos como o olhar pode ser quase impositivo quando se nos mostra o belo. De um dos lados o céu tornou-se agora totalmente cinzento e avizinha uma chuva e do outro lado ainda sentimos o sol primaveril, que bate e rebate no meu caderno e caneta cor-de-rosa.
Não vou sair de onde estou pois estou como que embalsamada pelo olhar e musica, que me congelaram neste tempo e espaço. Continua a haver gente mas longe do meu sentir. Há vento que empurra as nuvens tão depressa que quase não consigo acompanhar o seu trajecto.
O castelo ora fica recortado sob o azul do céu parecendo vivo e activo ora fica sob um céu cinza parecendo que todos morreram e não deram conta…
O mundo parou e agora há um sem número de pombas no varandim, um homem num telhado, umas mulheres que passam ao lado da paisagem e uns quantos que passam dentro da paisagem…O sol, este, já só tem um foco de luz para tocar o que mexe, e curiosamente ainda incide na minha cara! Agora amplamente estou na sombra, mas o raio de sol toca, ainda, o meu relógio que reflecte um sol sob o tecto do meu carro.
Um botão de pausa tocou-se e ficamos sem movimento, o sol parou de brilhar, as gentes passam sem se notarem, a chuva abateu-se sobre o meu sitio.
O meu sitio agora deixou de ser meu para ser da chuva, das gentes apressadas de guarda chuva, das pombas que voaram para se abrigarem, do castelo sombrio e para mim ficou apenas as linhas, a caneta e o resto de calor deixado pelo sol, aqui guardado dentro do carro!

Quem ganhou com o atraso da tua amiga fomos nós. Parabéns. Beijinhos
ResponderEliminarBelo, muito belo...
ResponderEliminarmeu deus! o que tu esperaste pela tua amiga! ;)
ResponderEliminarBrown eyes...
ResponderEliminarobrigada...gosto de escrever e quando sai assim ainda melhor!
Pinguim...
escrever sobre tão bela paisagem e com o coração cheio tem destas coisas!
Catarina...
Foi uma espera bem passada e que valeu a pena!